| Foi com base na estrutura
de museus europeus que o historiador elaborou seu projeto.
Os museus da Europa surpreendem pela praticidade de criação,
manutenção e baixo custo. Esses novos modelos de exposição
oferecem um retorno interessante aos apoiadores, que adquirem os direitos
de exploração cultural e comercial das peças como
a venda de ingressos, aluguel da exposição (itinerância),
venda de espaço publicitário, exploração das
imagens do museu, captação de recursos federais, além
do retorno de mídia que envolve o projeto, diz.
O historiador afirma ainda que apesar de ter enviado a proposta para a
prefeitura, se ela manifestar que não tem interesse no museu, poderão
ser feitas outras parcerias, com universidades ou empresas que queiram
fazer um investimento cultural. Na verdade o que eu proponho é
a cessão das maquetes em troca do apoio financeiro com relação
aos gastos que tenho com os materiais.
Maquetes
Dalton Maziero tem praticamente quatro maquetes construídas, de
uma coleção que não tem número preciso. Não
pretendo parar de construir maquetes, farei isso enquanto eu puder, diz.
De início, as miniaturas para o museu seriam de diferentes regiões,
mas com o tempo, a idéia é que a exposição
seja dividida em seis módulos: América do Sul; América
do Norte e Central; Ásia e Oceania; Europa; Oriente Médio;
e África, além de incluir alguns anexos regionais, entre
eles o Lago Titicaca (na fronteira entre Peru e Bolívia) e a região
de Yucatã, no México. Vejo essa necessidade de colocar anexos
porque algumas regiões do mundo são muito ricas arqueologicamente,
então vale a pena aprofundar um pouco mais.
Entre as maquetes já prontas estão o Templo de Tarxien,
na Ilha de Malta (2500 a.C.) e o Palácio Real de Micenas, na Grécia
(1400 a.C.). Em fase de conclusão até o final de janeiro
estão uma vivenda egípcia da cidade de Amarna, de 1300 a.C.,
e o anexo Lago do Titicaca, que contará com pontos dos sítios
arqueológicos e o traçado da expedição que
fez. Isso pode ajudar os interessados em explorarem o local, afirma. Acompanha
a mostra do Titicaca uma exposição com 30 fotos coloridas.
Inclusive eu escrevi um livro, que é o diário da expedição
que fiz em 1997, com muita informação histórica,
lendária, a conversa com os aymaras, as dificuldades que tive,
são quase 300 páginas, mas ainda não publiquei. Esse
é um outro projeto, conta.
O tempo para a construção das maquetes depende das horas
que tem disponíveis para se dedicar somente a elas. Mas gastei
até agora no máximo três meses para fazer, diz. Para
resgatar o Templo de Tarxien, por exemplo, Dalton usou cimento celular
(pedra pome) para construir a parede, já o telhado foi feito com
massa plástica, e a vegetação com fibras vegetais
naturais, pedras e cascas de árvores. Acredita-se que esse templo
era dedicado à deusa da fertilidade. Essa conclusão deve-se
ao fato de terem encontrado no local vestígios de estátuas
femininas. Na Europa neolítica, praticava-se o culto às
deusas, à mãe terra, à fertilidade. Esse era um templo
de sacrifício de animais também, foi encontrada no local
até a faca usada para os sacrifícios, explica.
Já a vivenda egípcia da cidade de Amarna é uma das
miniaturas mais completas, com a casa principal, celeiros, cozinha, dormitórios,
estábulos, jardim e oratório. Escolhi começar por
esses patrimônios porque já tinha informações
sobre a construção, faltavam apenas de alguns detalhes.
Ainda não fiz a de Machu Picchu porque não tenho informações
suficientes, e enquanto não conseguir os dados fica inviável.
Se não tenho o mínimo de informações precisas,
eu não faço a maquete.
Dalton procura construir com o máximo de fidelidade. Pesquiso desde
o uso das cores, espessura da parede, dimensão, mas chega um ponto
que os próprios arqueólogos não têm a informação.
Estudo bastante em bibliotecas especializadas como a da USP e a Mário
de Andrade, e utilizo a internet apenas para buscar imagens, porque como
fonte de informação ela não é confiável.
O historiador promete que não vai deixar de lado a história
dos trabalhadores. Não
vou reconstuir apenas o espaço dos nobres, vou mostrar como era
a vida das pessoas comuns também.
Acompanham as maquetes, painéis explicativos com textos sobre a
história das construções, a que cultura pertencem
e curiosidades das escavações arqueológicas. O foco
é a história da arqueologia e não as civilizações
porque sobre elas é fácil encontrar informação.
História
Formado em história pela PUC-SP, com especialização
em arqueologia latino-americana, Dalton Maziero trabalhou durante anos
como supervisor do arquivo histórico da Fundação
Bienal de São Paulo, até que no ano passado, aos 40 anos
de idade, resolveu largar tudo pra fazer maquetes. Parece loucura, mas
a realização de seu sonho resultou num valoroso trabalho
de pesquisa, que resgata com o máximo de fidelidade, monumentos
históricos considerados patrimônios da humanidade. Sempre
gostei de arqueologia, então desde criança acumulo um conhecimento
nessa área. Além disso, minha paixão por miniaturas
também está entre os fatores que me motivaram a fazer as
maquetes arqueológicas.
Dalton esclarece que seu pai era marceneiro, então cresceu em meio
a madeiras e ferramentas. Para mim sempre foram familiares esses materiais.
Eu já fui até nautimodelista (confecção de
barcos em miniatura), e para museus mesmo.
A idéia de fazer as maquetes surgiu durante suas viagens de exploração
em países como a Bolívia, Peru, Colômbia e Chile.
Quando olhava para as ruínas, eu sentia a necessidade de reconstruir,
de dar às pessoas a oportunidade de saberem como era aquela construção.
Aí eu fiz um curso de maquete e vi que dava pra fazer.
Depois disso, Dalton elaborou um projeto e enviou a algumas instituições
e prefeituras do interior de São Paulo. Já recebi uma proposta
da Estação Ciência da USP, que quer fazer uma mostra
itinerante, também tive retorno de uma universidade, para dar aulas,
mas a proposta do museu mesmo ainda aguarda contato, afirma.
Dalton prefere deixar as peças num local permanente. Até
mesmo se for uma sala dentro de um museu já existente, seria o
ideal. Eu fiz inclusive uma maquete para mostrar como poderia ser o museu.
Como o que mais gosta de fazer é passar horas e horas dedicando-se
à construção das maquetes, Dalton espera que em breve
possa dispender mais tempo cuidando disso. Não quero perder tempo
administrando a burocracia do espaço. A partir do momento que eu
tiver um patrocinador, também não precisarei me preocupar
mais com a elaboração de projetos, então poderei
me dedicar mais à maquete, e aí a produção
vai ser muito mais rápida.
Mais informações sobre o trabalho de Dalton podem ser obtidas
no site www.arqueologiamericana.com.br. Contato com o historiador: daltonmaziero@uol.com.br
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